segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Vc já parou para avaliar o seu fundo de previdência privada?


Normalmente, o fundo de previdência privada é a primeira opção de grande parte dos brasileiros ao escolher um investimento para a aposentadoria. Mas aqui vai uma informação que talvez faça muitos repensarem a escolha.

Vou tentar descrever o exemplo da figura ao lado.

Para grande parte dos planos (talvez 80 ou 90% deles), existe o que chamamos de custo de carregamento. Uma taxa cobrada sobre o valor total da aplicação, em torno de 5% (isso pode variar de um plano para outro).

A grosso modo, isso significa que ao longo do tempo o saldo do valor aplicado pode ser inferior ao total investido. Estranho, não é? Explico:

Se investirmos R$ 100,00 por mês, apenas R$ 95,00 irão para a sua aposentadoria, o restante fica com o gestor do fundo, com o banco, ou com outro qualquer que não seja vc!

No mês seguinte, mesmo considerando a rentabilidade do fundo (neste caso utilizamos 1% como exemplo), a soma do novo aporte com o saldo é inferior ao total que já foi investido.

95 + 1% = 95,95 + 95 (2o aporte) = 190,95 vs 
100,00 (1o aporte) + 100,00 (2o aporte) = 200,00

Vc deve estar se perguntando: Se isso é um fato, porque muitas pessoas continuam depositando as suas fichas em uma aposentadoria que fica com uma boa parte do valor investido?

Se vc souber a resposta, por favor me conte.

Detalhe: ainda nem estamos falando da taxa de administração. Essa eu conto depois.

Boa semana!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Tudo é justo no amor e na economia

Calma, calma, o título acima não é uma homenagem ao dia dos namorados em atraso. Trata-se apenas de uma tradução livre da resenha de um divertido livro, enviada pelo meu primo.
Os autores apresentam soluções criativas, baseadas nos conceitos da economia, para os problemas corriqueiros dos relacionamentos.
Considerando que economia é basicamente o estudo de como as pessoas e empresas alocam seus recursos, os autores fazem uma analogia disso com um dos principais problemas enfrentados pelos casais nos dias de hoje: como investir  recursos como tempo, energia, libido e dinheiro, de forma a lhe satisfazer pessoalmente e, ao mesmo tempo, garantir que o seu relacionamento continue em alta. 
Segundo os autores, a dica é: i) turbine esses recursos e; ii) aloque-os da forma mais inteligente possível. A partir daí o livro descreve uma série de formas de como fazer isso.
Para ilustrar diferentes situações eles utilizam atividades do dia a dia de um casal, como  a distribuição das tarefas da casa e até a demanda por sexo, e as relacionam com conceitos da economia.

Para quem quiser saber mais:
Spousonomics: Using Economics to Master Love, Marriage, and Dirty Dishes, Paula Szuchman and Jenny Anderson (http://knowledge.wharton.upenn.edu/article.cfm?articleid=2766)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vale a pena comprar dólar para investir?

Essa pergunta surgiu durante o almoço na casa de uns amigos.
Antes de mais nada, é preciso lembrar que não estou aqui para fazer o papel de conselheiro financeiro. O objetivo desse blog é unicamente dividir algumas ideias e gerar discussões entre os leitores sobre diferentes temas.
Voltando à pergunta do dólar, a minha resposta é não. Isso significa que eu não acredite na valorização da moeda americana? Não, significa apenas que não gosto dessa opção como investimento.
A principal razão para isso é a dificuldade para se definir o valor justo de uma moeda. Além disso, já existem alguns sinais de que a hegemonia do dólar pode estar com os dias contados, o que torna o tema ainda mais complexo.
Agora, caso eu tivesse uma viagem programada para os EUA nos próximos meses, começaria a comprar algumas verdinhas. Não como investimento, mas para fazer um caixa  para as comprinhas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Já pensou em investir no Tesouro Direto?

Para aqueles que pretendem fazer uma poupança de médio/longo prazo, com objetivos financeiros bem definidos, como a compra de um veículo ou imóvel, uma opção é a compra de títulos públicos através do Tesouro Direto.
Vantagens:
Risco de liquidez baixo: o Tesouro Nacional garante a recompra para aqueles que desejarem vender seus títulos;
Taxas de administração baixas, pois são operados diretamente pelo investidor;
Valor mínimo para aplicação: R$ 100,00
Desvantagem:
Em épocas de juros e inflação baixos, a rentabilidade pode se tornar pouco atrativa quando comparada à renda variável.
O processo de compra e venda desses títulos é relativamente simples.
Para maiores detalhes de como investir, o site do Tesouro (ver link abaixo) apresenta um passo a passo interativo do processo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O que importa é o Caixa

Esses dias fui almoçar com um amigo, dono de um negócio promissor e, enquanto discutíamos a viabilidade de alguns negócios, ele comentou: “Sica, o que importa  o Caixa”.
Ele está certo. Um caixa reforçado pode garantir certa estabilidade mesmo durante os tempos de vacas magras, evitando assim a necessidade de recorrer a empréstimos a juros exorbitantes.
Em reportagem publicada no jornal Valor de ontem (18/Maio/2011), uma análise mostra a evolução do caixa das principais construtoras, entre elas PDG, Rossi, Gafisa, Cyrela, MRV, Brookfield, Even, Eztec, JHSF e outras.
Segundo a reportagem, essas empresas apresentaram juntas um lucro de R$ 8,5 bilhões desde o início de 2008 até março desse ano, sendo que a “queima de caixa” foi de R$ 14,4 bi no mesmo período. Se considerarmos a captação via emissão de ações feita por essas empresas, esse número bate na casa dos R$ 20 bilhões.
Os gastos com construção e novos projetos tem superado, em geral, os valores recebidos dos apartamentos vendidos durante esse período.
Você pode dizer que o caixa é inversamente proporcional ao nível de crescimento,   que é preciso investir para crescer, como disse um analista na mesma reportagem. O problema é que em algum momento deve haver um equilíbrio e o caixa precisa engordar.
Como já comentei em outros textos, quando olho uma empresa, gosto de ouvir o som cintilante da caixa registradora. Não consigo reconhecer isso na maioria das construtoras. Pelo menos não neste momento.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Você acha que o iPad 2 realmente vale USD 2,000?

O título acima refere-se a um dos artigos mais lidos no Wall Street Journal (WSJ) nas últimas semanas.
Você deve estar se perguntando porque USD 2,000 por um iPad 2 se o preço de entrada é USD 499.
A autora faz um exercício considerando abrir mão da compra do iPad hoje e aplicar os USD 499. Em 30 anos, com uma taxa de 5% a.a. (já desconsiderando a inflação), isto representaria os USD 2,000 mencionados no título.
Talvez os USD 2,000 não te assustem tanto nos dias de hoje, mas considere que em 30 anos a maioria de nós estará se aposentando e, nessa fase, essa quantia poderá fazer diferença no seu orçamento.
A autora lembra ainda que para alguém na faixa dos 40 anos, cada dólar gasto irá lhe custar $4 no momento da sua aposentadoria, ou em torno de $6 para aqueles na faixa dos 30 e $9 para aqueles que estão próximos dos 20 anos.
A coisa pode piorar se você fizer a conta para seus gastos mensais, tipo TV a cabo,  celular, financiamento do carro e etc.
Em 30 anos, uma conta de USD 100 mensais pode virar USD 80,000, ou até USD 100,000 em 35 anos.
Os USD 400 mensais do financiamento do carro podem lhe custar USD 400,000 ao longo dos anos.
Tudo isso considerando a taxa média de 5% a.a.. Lembrando que, para nós brasileiros, muito provavelmente o retorno médio seria maior, pois vivemos em um país com a maior taxa real de juro do mundo.
Calma lá, ninguém precisa viver igual ao Tio Patinhas. Como diria um grande amigo, o segredo está no equilíbrio. Isso vale para tudo, inclusive para as suas finanças pessoais.

Segue o link para aqueles que quiserem ler o artigo na íntegra:
http://online.wsj.com/article/SB10001424052748703696704576223242020954846.html


terça-feira, 26 de abril de 2011

Nada me agrada mais do que uma empresa enxuta

Se tem algo que me agrada muito é uma empresa que se preocupa com seus custos, procurando mantê-los em um patamar que lhe garanta uma administração financeira estável.
Um bom exemplo disso é a Helbor (HBOR3), incorporadora da família Borenstein.
Administrada pelo pai e filho (Henrique e Henry Borenstein), a empresa preza pela estrutura de baixo custo, a começar pela sua sede, localizada em Mogi das Cruzes, em contraste com seus concorrentes que mantem escritórios de alto padrão em regiões nobres de São Paulo e Rio.
A relação despesa administrativa / receita é a menor entre seus competidores (6,5% em 2010).
Como resultado, a incorporadora apresentou margem de 18% em 2010, segunda maior do setor e um ROE (return on equity) de 43,2% vs uma média setorial de 18,8% (ver Jornal Valor de 26/Abril/2011).
Tá bom, tá bom, o papel já subiu 77,78% nos últimos 12 meses. Mas ainda assim seu preço sobre o lucro está em 7,5x, o que é algo razoável para esse mercado.